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13-11-2002
Apresenta??o de "As vidas Sucessivas"
por Herm?nio C. Miranda
"As Vidas Sucessivas" ? o novo lan?amento da Lach?tre

Este livro ? um cl?ssico, uma refer?ncia, na longa busca de melhor entendimento do ser humano e das leis que regem sua intera??o com as pessoas, os fen?menos e eventos que se desdobram ? sua volta, mas, principalmente, ‘dentro’ daquilo que nos acostumamos a chamar de mente. Em suma, sua intera??o com a vida, nisso inclu?do, obviamente, o universo em que vive.
Foi a partir dele, ainda na d?cada de 60 do s?culo passado, que encetei os estudos que me levariam ? elabora??o de A mem?ria e o tempo na segunda metade da d?cada de 70 e publicado no in?cio dos anos 80.
Garimpei o original franc?s que deu origem a esta tradu??o, num sebo, como de tantas outras vezes, em momento feliz, por se tratar de edi??o rar?ssima de 1911.
Logo na primeira leitura, senti consider?vel impacto. Quanto mais o lia, relia e aprofundava a medita??o sobre seu conte?do, mais impressionado ficava. Agradava-me a abordagem sensata e inteligente do autor, emoldurada por inesperada humildade intelectual em cientista daquele porte.
De Rochas se punha como atento e curioso pesquisador, disposto a aprender com os fatos, em vez de tentar enquadr?-los em r?gido contexto de modelos preconcebidos, atitude comum ?quele tempo, como ainda hoje, de parte dos que n?o se sentem encorajados e nem preparados para mudar e, por conseguinte, a progredir galgando patamares mais elevados de conhecimento.
Sua postura era, pois, despreconceituosa e atenta, mas aberta.
Outra coisa: o ilustrado coronel, engenheiro e conde n?o pretendeu considerar suas reflex?es como ?ltima palavra a ser religiosamente acatada pelos que o lessem. Ao contr?rio, atribuiu ao seu trabalho a modesta condi??o de um conjunto de documentos preliminares para estudo da quest?o, ao indicar a necessidade de pesquisas mais amplas e profundas que dessem continuidade ? sua tarefa.
Seu livro, contudo, ? muito mais que uma disserta??o prim?ria.
De Rochas relata suas experi?nicas, oferece conclus?es sobre o que testemunhou e levanta aspectos inusitados da mente para os quais ainda n?o dispunha de explica??es que satisfizessem seus crit?rios pessoais, ainda que apontando em determinada dire??o. Em outras palavras – n?o dogmatiza.
Ademais, ao empreender seus estudos entre o final do s?culo 19 e in?cio do s?culo 20, n?o partiu de premissas propostas pelo espiritismo, cuja doutrina se achava, ?quela ?poca, bastante difundida ali mesmo, na Fran?a.
De in?cio, estranhei esse procedimento. Hoje, entendo-o como op??o v?lida e medida de prud?ncia destinadas a preservar a isen??o necess?ria ao trabalho em que se empenhava. Se ele partisse de conceitos doutrin?rios esp?ritas, caracterizando-se como militante do movimento que se expandia, seus estudos ficariam certamente expostos ? rejei??o liminar por parte das correntes intelectuais da ?poca, dominadas por pensadores de forma??o nitidamente materialista ou positivista. Como ocorreu e ocorreria a tantos outros mais tarde.
Em nota de rodap?, ele explica que n?o cuidava especificamente de espiritismo, por entender que disso ocupavam-se outros estudiosos. Sem ignorar ou negar os postulados esp?ritas – alude com respeito e admira??o ? obra de L?on Denis, por exemplo –, limitava-se a aspectos cient?ficos que, direta ou indiretamente, acabaram resultando em valioso suporte ? inteligente doutrina dos esp?ritos.
Realmente, ao estampar na reencarna??o a marca autenticadora da ci?ncia, seu estudo, mesmo preliminar, como ele o entendia, legitimava a realidade espiritual, tal como figura nos livros b?sicos de Allan Kardec.
Tenho insistido reiteradamente em meus escritos em que essa realidade, fundamental ao entendimento da vida, ? insuscet?vel de esquartejamento. Estamos aqui diante de um bloco inteiri?o de conceitos solidamente colados uns nos outros.
No meu entender, a reencarna??o ? o cimento que mant?m insepar?veis tais componentes. ? que, demonstrada – como est? h? muito – a legitimidade da reencarna??o, os demais aspectos exigem autom?tica integra??o no modelo em que n?o se admite ignorar, no m?nimo, a preexist?ncia e a sobreviv?ncia do ser ? morte corporal.
Por outro lado, de Rochas p?s em evid?ncia relevantes aspectos colaterais como a lei de causa e efeito, e, portanto, o mecanismo da evolu??o do ser rumo ? perfei??o e, atachado a esse conceito, sublinhando-o de modo sutil, mas dram?tico, a verdade subjacente de um claro componente ?tico necess?rio ao funcionamento daquele mecanismo. Deixou, ainda, informa??es do mesmo n?vel de import?ncia acerca das faculdades medi?nicas e, portanto, do interc?mbio entre ‘vivos’ e ‘mortos’. Nota-se, no desenrolar de suas experi?ncias, a presen?a de entidades desencarnadas, bem como a evid?ncia de um ‘espa?o’ c?smico invis?vel aos nossos sentidos habituais, ‘onde’ vivem, sofrem, amam, odeiam, aprendem e se reciclam os seres espirituais entre uma vida e outra na terra.
Do que se conclui que, a despeito de n?o se caracterizar como texto doutrin?rio esp?rita, seu valioso trabalho oferece firme suporte aos ensinamentos e conte?dos dos livros b?sicos da Codifica??o.
Al?m disso, de Rochas deixou significativa contribui??o ao estudo da pr?pria mem?ria, em sua intera??o com o tempo. Conceitos como o de inconsciente – que come?avam a emergir na ?poca –, encontram nos seus trabalhos, tanto quanto na doutrina dos esp?ritos, encaixes precisos e espa?o pr?prio, como procurei demonstrar em Alquimia da mente.
Que eu saiba, foi ele quem primeiro colocou de maneira transparente a possibilidade de explora??es no futuro, tanto quanto no passado do ser humano. Aparentemente inconclusivas, suas ‘progress?es’ (mergulho na mem?ria futura) deixaram vest?gios importantes de uma realidade que somente cerca de um s?culo mais tarde seria retomada para mais profundas explora??es, como se pode conferir nos escritos da doutora Helen Wambach e de outros estudiosos como Chet Snow.
Por tudo isso, os textos de de Rochas – e este livro n?o ? o ?nico a solicitar nossa aten??o – merecem aten??o, respeito e admira??o.




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