AO
COMPLETAR 10 ANOS, A LACHÂTRE É
A EDITORA ESPÍRITA DE MELHOR QUALIDADE
PROMOVENDO O DEBATE, INDICANDO TENDÊNCIAS...
A
Publicações Lachâtre entrou no mercado editorial
com o objetivo bem definido de estimular o debate sobre temas espíritas.
Dessa maneira, a editora procura estabelecer um equilíbrio
entre as obras doutrinárias e as de caráter histórico
e científico que divulguem a doutrina espírita para
o público não-espírita, mesmo que sejam complexas
ou de escasso apelo comercial, desde que venham preencher lacunas
na literatura espírita. Essa filosofia facilita o debate
de idéias, incentiva a pesquisa e acirra a contestação,
aspecto este que, de certa forma, a editora expressa em seu nome.
Maurice Lachâtre foi, por vontade própria e/ou imposição
dos fatos, o contestador espírita por excelência. Intelectual
e editor francês, achava-se estabelecido em Barcelona com
uma livraria, quando solicitou a Kardec seus livros para divulgá-los
na Espanha. Só não contava com a intolerância
do bispo da cidade. Por ordem deste, as obras foram apreendidas
e queimadas numa grande fogueira. O episódio, ocorrido a
9 de outubro de 1861, conhecido como o Auto-de-fé de Barcelona,
apenas serviu para revigorar a coragem do livreiro.
Disposta a atuar com o mesmo espírito do intelectual a que
homenageia, a Lachâtre surgiu em 1993, em Niterói,
RJ. Nestes dez anos, tornou-se uma das editoras espíritas
mais dinâmicas. O capricho editorial vem sendo outra característica
da Lachâtre que, na qualidade de suas edições,
está no mesmo patamar do que existe de melhor no mercado
editorial brasileiro, espírita ou não-espírita.
A
LITERATURA MEDIÚNICA TRATADA COM A SERIEDADE QUE O TEMA EXIGE
AEDITORA
LACHÂTREpublicou pouquíssimas obras mediúnicas,
no entanto, é possivelmente a editora espírita que
mais dê atenção e importância à
questão da literatura mediúnica. Esta afirmação,
a princípio, pode parecer um contra-senso, mas veremos que
não é.
Apesar da infinidade de obras literárias psicografadas distribuídas
pelas editoras espíritas (romances, poesias, contos, crônicas),
são poucas as obras que se propõem a estudá-las,
do ponto de vista literário, em profundidade. Talvez seja
esse um dos motivos por que o meio acadêmico, e conseqüentemente
a mídia e o mercado livreiro, tanto preconceito tenham em
relação à literatura espírita. E a boa
literatura mediúnica indiscutivelmente se presta a qualquer
tipo de análise. Há, hoje, no Brasil, salvo engano,
apenas quatro (pasmem), quatro obras espíritas que discutem
seriamente a questão.
A primeira obra publicada foi a de Miguel Timponi, A Psicografia
ante os Tribunais. Embora o objetivo do trabalho seja jurídico,
pois é o relato da defesa feita no caso do processo movido
pela família do escritor Humberto de Campos contra Francisco
Cândido Xavier, a obra foi a primeira a reunir argumentos
que buscavam comprovar a autoria espiritual da obra mediúnica
do mais famoso médium do Brasil.
Outra obra importante, e tristemente desconhecida pelo meio espírita,
é O Espírito da Paraliteratura, tese de mestrado defendida
por Thaís Chinellatto, em 1989, na USP, Escola de Comunicação,
e busca analisar literariamente a imensa obra mediúnica do
espírito Rochester.
As outras duas obras foram publicadas pela EDITORA LACHÂTRE.
Uma, de autoria de Ernesto Bozzano, chama-se Literatura de Além-túmulo
e trata de inúmeras psicografias cuja autoria espiritual
traz fortes evidências de autenticidade.
No entanto, a obra mais importante já escrita sobre o tema
é, sem dúvida, O Avesso de um Balzac Contemporâneo,
de Osmar Ramos Filho, texto que analisa minuciosamente a obra Cristo
Espera por Ti, de autoria do espírito Balzac, e praticamente
encerra as discussões sobre a origem espiritual do romance.
Podemos afirmar, com convicção, que a pesquisa que
resultou na publicação de O Avesso de um Balzac Contemporâneo
praticamente silencia as dúvidas sobre a realidade da vida
após a morte e a possibilidade da comunicação
dos chamados 'mortos' com o mundo dos 'vivos'. Críticos e
jornalistas avessos ao espiritismo chamados a se pronunciar sobre
a obra atestaram a sua profundidade e erudição. Entre
esses críticos não podemos deixar de citar o prof.
Paulo Rónai, reconhecido no mundo inteiro por seus profundos
conhecimentos acerca da literatura de Balzac e particularmente contrário
à doutrina espírita, que, no entanto, não hesita
em reconhecer os atributos da obra.(1)
Estamos falando de textos teóricos sobre literatura. E como
faz a EDITORA LACHÂTRE, quando publica suas obras de
origem mediúnica? No que elas se diferenciam das demais obras
mediúnicas? Vejamos.
A primeira obra literária mediúnica publicada pelaLACHÂTRE foi Embainha tua Espada, a história
de importante político brasileiro e que relata sua decepção
ao descobrir que a vida continua após a morte do corpo. Um
detalhe que caracteriza a obra é que ela não foi psicografada,
mas foi ditada através da psicofonia. E isso é bastante
coerente, porque o texto oral é o recurso de comunicação
natural de um político. Ao analisar os originais recebidos,
pudemos comprovar detalhes da biografia do autor que eram desconhecidos
do médium e que nos davam bons indícios da veracidade
da autoria. O nome do político, escondido pelas iniciais
J. P. (que sequer são as iniciais de seu nome real), não
foi divulgado para evitar constrangimentos familiares e para que
o médium não fosse acusado de querer fazer sucesso
às custas de importante nome. Mas a comprovação
decisiva só nos veio após a obra ser publicada. Um
antigo assessor de J. P. em vida procurou a editora para dizer que
o reconhecia naquelas páginas pela maneira de se expressar
e por muitos fatos que nunca foram do conhecimento público.
Garantia-nos, pelos anos de convivência, era o famoso político.
A obra não é uma grande peça literária,
mas um libelo pela libertação humana. Mas o autor
espiritual não era um literato, quis apenas nos trazer a
mudança de seus pontos de vista, a partir do conhecimento
da realidade espiritual.
Outro romance que publicamos foi O Mistério de Edwin Drood,
obra genial de Charles Dickens, em que mais da metade é de
autoria de um Dickens 'morto', através da psicografia de
um mecânico americano. A obra encontra-se comentada em artigo
na página 3. É difícil entender como o segmento
editorial espírita levou mais de cem anos para resgatar e
publicar um dos mais fantásticos casos de comprovação
da mediunidade. E olha que a obra veio recomendada por nada menos
que Akzakof, Delanne e Bozzano.
O Contador de Histórias é outro lançamento
da EDITORA LACHÂTRE e traz como aspecto mais curioso
a autoria espiritual de Malba Tahan. O público espírita
ainda não se deu conta de que, desde o famoso caso Humberto
de Campos, nunca mais uma editora espírita ousou atribuir
a autoria de uma obra mediúnica a um escritor recentemente
falecido, em função das implicações
legais decorrentes disso. E já se passaram mais de cinqüenta
anos. Nesses casos o movimento espírita vinha preferindo
a utilização de um pseudônimo. Mas O Contador
de Histórias traz elementos comprobatórios suficientes
para não se intimidar e aceitar o desafio da crítica.
Quem conheceu os textos de Júlio César de Melo e Souza,
pseudônimo de Malba Tahan, não tem dúvida em
reafirmar que só ele poderia ter escrito O Contador de Histórias.
Há ainda outras obras mediúnicas a serem publicadas
pela EDITORA LACHÂTRE, mas o cuidado na sua produção
nos obriga a fazê-lo lentamente, em benefício do público
e, especialmente, em prol da divulgação dos postulados
espíritas.
Neste caso, o contra-senso aparente que destacamos no início
deste artigo acaba se transformando em bons motivos. Exatamente
por considerar a literatura mediúnica com extremo zelo é
que foram poucas as obras deste gênero publicadas pela EDITORA
LACHÂTRE, mas preparadas para suportar a mais ácida
crítica.
1- Entre as obras correlatas, mas não específicas
sobre o assunto, destacamos A Psicografia à luz da Grafoscopia,
de Carlos Augusto Perandréa, Direito Autoral na Obra Psicografada,
de Eliseu da Mota Jr., este também tese de mestrado, defendida
na UNESP, e Cinco Excepcionais Casos de Identificação
de Espíritos, também publicação da LACHÂTRE,
de Ernesto Bozzano.
PARA
ONDE VÃO OS DIREITOS AUTORAIS DAS OBRAS DA EDITORA LACHÂTRE?
Ao contrário
da tendência dominante na área editorial espírita,
a EDITORA LACHÂTRE recusa-se a receber os direitos
autorais das obras mediúnicas ou de autores espíritas
que normalmente a cedem. Desta maneira, toda vez em que um autor
nos oferece os direitos autorais de sua obra eles são imediatamente
transferidos para alguma instituição de assistência
sem fins lucrativos. É comum, ao final dos nossos livros,
quando o autor não deseja que sua doação permaneça
anônima, vir um pequeno relato da instituição
que está recebendo os direitos autorais. Por isso, além
dos benefícios que a leitura do livro espírita proporciona,
quando você compra um livro da EDITORA LACHÂTRE,
poderá estar igualmente auxiliando importantes obras assistenciais
espíritas.
MAURICE
LACHÂTRE
Maurice
Lachâtre
Em seu nome, a editora Lachâtre homenageia uma das figuras
mais luminosas e corajosas da França, no século XIX.
Nascido em Issoudun, no departamento de Indre, em 1814, Maurice
Lachâtre mudou-se ainda jovem para Paris, atraído pela
borbulhante vida intelectual da capital francesa. Editor e escritor,
foi em ambas as atividades o contestador por excelência, em
choque permanente com o regime político e a religião
católica dominante. Em 1857, foi condenado a um ano de prisão
e a uma multa de seis mil francos, por ter editado o romance Os
mistérios do povo, de Eugén Sue, que difundia os ideais
socialistas. No ano seguinte, sofreu nova condenação
pelo regime de Napoleão III (que Victor Hugo chamou de Napoleão,
o pequeno), pela publicação do Dicionário
universal ilustrado. A pena era duríssima: seis anos
de prisão.
Para escapar, Lachâtre refugiou-se na Espanha, estabelecendo-se
como livreiro em Barcelona. Homem inquieto, atento às novidades,
acompanhava de perto o grande movimento de renovação
espiritual que surgia em seu país. Em 1861, escreveu a Allan
Kardec, solicitando-lhe a remessa de livros espíritas, que
desejava comercializar em sua livraria. Kardec enviou dois caixotes,
contendo trezentos livros. A remessa atendia a todos os requisitos
legais da alfândega espanhola, mas a sua liberação
foi sustada, sob a alegação de ser indispensável
a aprovação do bispo de Barcelona, Antonio Palau y
Termens. Lidas as obras, o padre concluiu que se tratavam de livros
perniciosos, que deviam ser lançados ao fogo, "por serem
imorais e contrários à fé católica".
A execução ocorreu no dia 9 de outubro de 1861, ficando
conhecida entre os espíritas como o Auto-de-fé de
Barcelona.
Auto-de-Fé
A partir daí, os padres passaram a vigiar de perto as publicações
de Lachâtre. O dedo da igreja encontra-se por trás
da sentença da justiça, de 27 de janeiro de 1869,
que condenava à destruição a História
dos papas, que Lachâtre publicara em 1842-43, em dez volumes.
Não foi o suficiente para abatê-lo.
Em 1870, quando ocorre a Comuna, Lachâtre retorna a Paris,
num lance de ousadia, e passa a colaborar no jornal Vengeur,
de Félix Pyat. A vitória do governo e a violentíssima
repressão levaram-no de volta à Espanha, onde manteve
a sua intensa atividade intelectual. Em 1874, publicou dois livros,
a História do consulado e do império e a História
da restauração. Seis anos depois, saía
a História da inquisição. Com a anistia, retornou
à França, fundou uma nova editora, em Paris, e entregou-se
de corpo e alma à sua grande obra, o Novo dicionário
universal, considerada por seus contemporâneos a maior
enciclopédia de conhecimentos humanos até então
publicada. Incluía, inclusive, todos os termos específicos
do vocabulário espírita.